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quarta-feira, 18 de maio de 2022

África do Sul: Julgamento por corrupção do ex-PR adiado para Agosto

África do Sul: Julgamento por corrupção do ex-PR adiado para Agosto



Pretória - O Tribunal Superior de Pietermaritzburg, sudeste da África do Sul, adiou terça-feira o julgamento do ex-presidente sul-africano Jacob Zuma, por suborno e alegada corrupção pública num caso de aquisição de armamento com mais de 20 anos.


O caso foi adiado para 1 de Agosto, tendo em conta que o pedido de reconsideração apresentado pelo antigo chefe de Estado sul-africano ao presidente do Supremo Tribunal de Apelação (SCA, na sigla em inglês), Mandisa Maya, permanece inconclusivo, segundo o juiz Piet Koen.

"O adiamento é concedido, sendo que se o pedido tiver sido determinado até 01 de Agosto de 2022, e se não for submetido nenhum pedido ao Tribunal Constitucional, o julgamento será retomado às 10:00 locais do dia 15 de Agosto de 2022", referiu o juiz sul-africano, citado na imprensa local.

Na decisão, o juiz adiantou que o aguardado julgamento de Zuma por corrupção no negócio público de armamento "continuará até 16 de Setembro de 2022 e novamente de 07 de Novembro de 2022 a 02 de Dezembro de 2022".

O juiz Koen ordenou também hoje que Zuma deve comparecer perante o tribunal em 15 de Agosto, se o julgamento for retomado nessa data.

O ex-presidente da África do Sul, e antigo líder do Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder desde 1994, está a ser julgado no caso de suborno e alegada corrupção pública na compra de armamento em 1999 pela África do Sul democrática pós-'apartheid'.

O ex-presidente nega as acusações alegando ser alvo de uma "cabala política".

Jacob Zuma, chefe de Estado entre 2009 e 2018, enfrenta 18 acusações relacionadas com o caso, incluindo fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão, no âmbito da compra de equipamento militar a cinco empresas de armamento europeias, em 1999, quando era vice-presidente de Thabo Mbeki.

O fabricante francês do setor da Defesa, Thales, enfrenta também acusações de corrupção e branqueamento de capitais. Tanto Zuma, como o grupo Thales sempre negaram as acusações.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Luanda - A Assembleia Nacional aprovou, em definitivo, as alterações às leis do Registo Eleitoral Oficioso e Orgânica das Eleições Gerais.

Luanda - A Assembleia Nacional aprovou, em definitivo, as alterações às leis do Registo Eleitoral Oficioso e Orgânica das Eleições Gerais.

























O projecto de Lei de Alteração à Lei do Registo Eleitoral Oficioso foi aprovado por unanimidade, enquanto o de Alteração à Orgânica das Eleições Gerais mereceu 126 votos favoráveis, 52 contra (UNITA, CASA-CE e PRS) e uma abstenção (FNLA).

Os diplomas aprovados clarificam matérias de natureza eleitoral sobre o voto, incluindo na diáspora, e a capacidade eleitoral activa, já que os vigentes não se coadunavam com o contexto actual.

A votação final global dos projectos de lei ocorreu durante a 12.ª Reunião Plenária Extraordinária da IV Legislatura, orientada pelo Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos.

O deputado da UNITA, Liberty Chiaka, disse que o seu partido votou contra o projecto de Alteração à Lei Orgânica das Eleições Gerais, por considerar o mesmo "um suicídio do estado democrático".

Alegou que as principais propostas, para melhorar a transparência das eleições, foram rejeitadas, exemplificando a rejeição da garantia da unicidade do voto em tempo real, por via da identificação biométrica do eleitor, bem como a retirada do apuramento municipal e provincial.

Segundo o líder do Grupo Parlamentar da UNITA, a lei em apreço "ofende gravemente o direito dos angolanos ao voto livre, secreto e igual, facilita o voto múltiplo e legaliza o voto desigual".

Por outro lado, o deputado Benedito Daniel, do PRS, partido que também votou contra, observou que a lei revista "não se adequa ao modelo de eleições que Angola pretende".

O mesmo posicionamento foi manifestado pelo deputado Justino Pinto de Andrade, da coligação CASA-CE, para quem a lei em apreço "constitui um obstáculo para o exercício do voto consciente".


MPLA pede confiança nas instituições

Tomás da Silva, do Grupo Parlamentar do MPLA, que votou a favor, lembrou que os deputados discutiram exaustivamente na especialidade 129 artigos da lei revista, tendo sido aprovado por consenso 91 por cento do documento.

"Não se compreende o voto contra do partido UNITA. Só pode ser, uma vez mais, o fantasma da fraude e desconfiança nas instituições", vincou.

Segundo o deputado do MPLA, a lei revista assegura o exercício do direito de voto, por todos os angolanos maiores de 18 anos de idade residentes em Angola e no exterior.

Fez saber que os angolanos residentes nos países onde a República de Angola não dispõe de embaixadas ou representação consular, dificilmente exercerão o direito de voto porque a UNITA não aceitou na concertação o voto por correspondência.

"Também aqui não se compreende a atitude do partido UNITA, que diz defender o voto na diáspora", expressou o deputado Tomás da Silva, apelando aos deputados da UNITA a afastarem definitivamente o fantasma da fraude eleitoral e desconfiança nas instituições.

Refutando as alegações da UNITA, o deputado Tomás da Silva indicou que a lei revista contém os princípios e critérios de qualquer estado de direito, que determinam se as eleições gerais ocorrem ou não em conformidade com a Constituição e a lei, se são ou não justas, livres, transparentes e democráticas.

Observou que a lei aprovada pelo plenário defende correctamente que as comissões municipais e provinciais eleitorais, apesar de não terem competências de apuramento das eleições, são-lhes reservadas outras no acto eleitoral, como serem responsáveis pela comunicação entre a assembleia de voto e a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), verificação da conformidade do escrutínio, entre outros.

Disse que a UNITA, depois de votar contra a lei, deve explicar ao povo se deseja ou não a realização das eleições gerais, em 2022.

O apuramento dos resultados eleitorais e voto por correspondência são alguns dos pontos nos quais o MPLA e a UNITA, proponentes das duas propostas discutidas na especialidade, não se entenderam.

A UNITA defende o apuramento dos resultados no município e na província, mas o MPLA entende que esta é uma competência exclusiva da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Tomás da Silva disse que o seu partido não recorreu à maioria parlamentar, à sua disposição, para aprovar sozinho os diplomas, na especialidade, optando pelo consenso, para que cada capítulo fosse analisado tecnicamente, dentro do espírito de tolerância e de concórdia.


Banco Nacional de Angola

O Plenário da AN aprovou também, em definitivo, a proposta de Lei do Banco Nacional de Angola (BNA), que deixa de estar sujeito à influência de terceiros/Executivo e quaisquer entidades públicas ou privadas, relativamente a sua estrutura, funcionamento, tomada de decisão e exercício de poderes, enquanto banco central.

O Diploma foi aprovado com 173 votos a favor, nenhum contra e nenhuma abstenção.

Do ponto de vista da autonomia funcional, ao banco central compete definir os instrumentos que pretende utilizar na prossecução do objectivo da estabilidade do valor da moeda nacional, sem interferências externas ou dependência de qualquer outra autoridade.

Com a aprovação da lei, o BNA passa a ter, como mandato principal, a garantia da estabilidade de preços de forma a assegurar a preservação do valor da moeda nacional e, como mandato secundário, a estabilidade do sistema financeiro nacional.


Respeito pelas leis aprovadas

No fim da votação, o presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, sublinhou que as decisões tomadas pelos deputados estiveram de acordo com o estipulado na lei e no regimento parlamentar.

"Agora, como democratas e como cidadãos, devemos respeitar o que foi aprovado", disse o líder do parlamento angolano, apelando os deputados a manterem sempre o espírito de abertura e do diálogo.


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Exclusivo: Iraque treina líder de milícia sancionado pelos EUA para posição no exército - fontes

Exclusivo: Iraque treina líder de milícia sancionado pelos EUA para posição no exército - fontes



BAGDÁ (Reuters) - Os militares iraquianos estão treinando um ex-membro de uma milícia apoiada pelo Irã, que está sob sanções dos EUA por matar manifestantes, para se tornar um oficial de alto escalão do exército, segundo seis autoridades do governo, da segurança e da milícia.
Eles disseram que Hussein Falih Aziz, conhecido como Abu Zainab al-Lami, havia sido enviado ao Egito 
com oficiais iraquianos para um treinamento de um ano normalmente reservado para militares do país.

Um documento do Ministério da Defesa visto pela Reuters mostrava seu nome, com o posto de Major 
General, em uma lista de oficiais que participariam do treinamento até o próximo verão.

Transformar Lami em oficial sênior do exército é uma das medidas mais ousadas do primeiro-ministro
Mustafa al-Kadhimi, um aliado dos EUA, para diluir o poder das milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, 
disseram as autoridades, e alinha-se com o desejo declarado de Washington de restringir a influência de 
Teerã em todo o Oriente Médio.

Um porta-voz do governo iraquiano e autoridades iranianas não puderam ser contatados imediatamente 
para comentar o assunto.

Uma fonte próxima a Lami confirmou sua implantação no Egito para treinamento.

Os defensores do plano o veem como uma forma de enfraquecer as milícias que se orgulham de dezenas 
de milhares de combatentes e que têm um controle considerável sobre a segurança e a economia do Iraque.

Eles dizem que vai acelerar a fragmentação de alguns grupos pertencentes às Forças de Mobilização 
Popular (PMF), a organização guarda-chuva paramilitar estadual cujo braço de segurança Lami dirige 
há anos.

O PMF não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Uma autoridade iraquiana, falando em nome do governo, se recusou a comentar sobre Lami, mas disse 
quehavia um plano para reestruturar o PMF, incluindo o fornecimento de treinamento militar para seus 
líderes.

Alguns críticos, no entanto, consideram isso uma manobra arriscada que coloca alguém com um histórico 
questionável de direitos humanos e que tem estado próximo do Irã no coração do exército iraquiano.

Eles veem isso como mais um sinal de que o primeiro-ministro está dando concessões até mesmo a algumas 
das autoridades mais linha-dura do Irã para garantir apoio para seu governo.

“O plano é trazer líderes do PMF que não são vistos como totalmente leais ao Irã e prepará-los por meio 
desse treinamento militar para posições dentro do aparelho militar e de segurança”, disse um 
oficial de segurança.

“Lami receberá uma posição sênior quando o treinamento for concluído”, acrescentou o funcionário, 
que não quis ser identificado devido à delicadeza do assunto. Ele não especificou que cargo Lami 
iria assumir.

Oficiais militares egípcios negaram que Lami esteja entre um lote de oficiais iraquianos em treinamento 
no Egito. Mas uma fonte de segurança egípcia disse que ele esteve no Egito em outubro, 
sem dar detalhes.

SANÇÕES DOS EUA


Lami é chefe de segurança do grupo paramilitar do Estado do Iraque e ex-membro da milícia Kataib 
Hezbollah, apoiada pelo Irã. A fonte próxima a ele negou que ele tivesse qualquer vínculo formal com 
o Irã ou as milícias que apoia.

Ele foi colocado sob sanções dos EUA em 2019 por seu suposto papel, relatado pela primeira vez pela
Reuters, ao ordenar o uso de força letal contra manifestantes antigovernamentais. Desde então, 
Lami negou qualquer papel na matança de manifestantes pacíficos.

O mandato de Kadhimi, que assumiu o cargo em maio, foi marcado por um confronto direto entre seu 
governo e partes das Forças Armadas, de um lado, e milícias alinhadas com o Irã, do outro.

A morte dos EUA do mentor militar iraniano Qassem Soleimani e do chefe paramilitar iraquiano 
Abu Mahdi al-Muhandis em um ataque de drones em Bagdá em janeiro deixou as milícias em desordem 
no início deste ano.

Kadhimi aliou-se aos Estados Unidos nos esforços para enfraquecer os grupos muçulmanos xiitas 
alinhados ao Irã que cresceram para dominar a economia do Iraque e as instituições estatais desde 
a derrubada do ditador sunita Saddam Hussein, liderada pelos EUA, em 2003.


O departamento de estado dos EUA não quis comentar para este artigo.

Kadhimi fez da reforma do setor de segurança uma prioridade, concentrando-se na remodelação dos 
principais postos de segurança do Estado.

Mesmo assim, autoridades americanas e iraquianas dizem que as milícias continuam a assediar os cerca 
de 3.000 soldados americanos restantes baseados no Iraque. Alguns grupos de milícias menos conhecidos 
disseram estar por trás de ataques com foguetes contra a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá.

Um oficial de segurança iraquiano disse que recrutar Lami para o exército era parte de uma tentativa de 
Kadhimi de aproximar o PMF de seu governo.

O PMF se reporta nominalmente ao primeiro-ministro, mas suas facções mais dominantes são próximas 
ao Irã - algo que Kadhimi está tentando mudar.

O xeque Ali al-Asadi, um oficial do grupo de milícia de Nujaba, alinhado com o Irã, disse que dar a Lami 
treinamento completo para oficiais era um sinal da força do PMF, e não algo que enfraqueceria os 
paramilitares.

“Esta é a prova do sucesso do PMF - alguém sendo retirado do PMF para trabalhar no exército mostra 
como ele se tornou forte”, disse ele à Reuters.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

A UNITA diz que arresto das suas contas visa sufocar dinâmica partidária

A UNITA diz que arresto das suas contas visa sufocar dinâmica partidária

 


"Fomos informados do arresto nas contas da UNITA em Luanda, um arresto que nos diz que, todos os fantasmas, todos os argumentos estão a ser levantados no sentido de, mesmo com o abraço da ilegalidade, tentarem asfixiar a dinâmica da UNITA", disse o presidente do partido do "Galo Negro" na inauguração da sede da LIMA (braço feminino do partido), em Luanda, na quarta-feira, 25.

O Tribunal Provincial de Luanda bloqueou há dias as contas bancarias da UNITA nos bancos BPC e BIC com o argumento de que foi activado um processo de há cerca de quatro anos, movido por uma empresa privada que reclama pagamentos de serviços no âmbito do projecto da "TV Raiar".

A direcção da UNITA apercebeu-se do bloqueio das contas bancárias, a partir da cidade do Huambo, onde uma delegação chefiada pelo seu Presidente, Adalberto Costa Júnior, realizou este mês a II Reunião Ordinária da Comissão Política, quando tentaram realizar pagamentos para as despesas da delegação.

"Se já vínhamos acrescentando indicadores da diminuição daquilo que são factores do Estado Democrático e de Direito, o respeito por valores do Estado Democrático e de Direito, juntamos o uso do poder judicial, juntamos o uso também das instituições bancárias do nosso País. Porque, de facto, aquele arresto está muito para além da legalidade dos actos", acrescentou.

Mesmo com arresto de contas, o presidente da UNITA disse que o partido não ficou parado com a realização de várias actividades partidárias em todas as províncias.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Angola: CASA-CE pede justiça pela morte de Hilbert Ganga

Angola: CASA-CE pede justiça pela morte de Hilbert Ganga




A coligação angolana CASA-CE pediu às autoridades judiciais que revejam o processo-crime movido contra os agentes da Unidade de Guarda Presidencial pelo "assassinato", há sete anos, do patrono da juventude do partido.

A Convergência Ampla de Salvação de Angola -- Coligação Eleitoral (CASA-CE) rende esta segunda-feira (23.11) homenagem a Hilbert de Carvalho Ganga, morto em 2013, e pede que seja feita justiça.

Para o colégio presidencial da CASA-CE, a revisão do processo "dará sentido moral e material" à máxima defendida pelo Presidente angolano, João Lourenço: "Ninguém é tão poderoso que não possa ser punido, nem pobre demais que não possa ser protegido".

Hilbert de Carvalho Ganga foi morto, alegadamente, por elementos da Unidade de Guarda Presidencial (UGP), depois de ter sido detido quando colocava cartazes no perímetro da Presidência da República, em Luanda.

Os cartazes eram alusivos ao desaparecimento e morte de dois ativistas, Isaías Cassule e Alves Kamulingue. Ambos foram assassinados, em 2012, quando tentavam organizar uma manifestação, que visava exigir do Governo de José Eduardo dos Santos o pagamento de salários em atraso e uma indemnização, enquanto antigos membros da UGP.

O autor confesso dos disparos que vitimaram Hilbert Ganga, Desidério Patrício Barros, inicialmente acusado pelo Ministério Público de homicídio voluntário, foi absolvido, em 2015, pelo Tribunal Provincial de Luanda.

"Mártir da repressão"

Hoje, a CASA-CE diz que Hilbert de Carvalho Ganga, patrono da Juventude Patriótica de Angola (JPA), braço juvenil da coligação, foi mártir da repressão contra as liberdades e direitos de cidadania.

"Rendemos a singela e merecida homenagem ao bravo jovem engenheiro, Hilbert de Carvalho Ganga, executado a tiro, em tempo de paz, por agentes da Unidade de Segurança Presidencial", lê-se numa nota de imprensa.

O colégio presidencial da coligação, liderado pelo almirante André Mendes de Carvalho "Miau", "reafirma" também o seu "engajamento e compromisso patriótico de manter acesa na memória dos angolanos e nos anais da nossa história recente a figura de Ganga".

A CASA-CE considera Hilbert de Carvalho Ganga "inesgotável fonte de inspiração dos jovens angolanos, continuadores da luta pela concretização do Estado democrático e de direito, em Angola".

Esta segunda força política na oposição angolana, que se diz "preocupada" com a "conturbada" situação social em Angola, exorta ainda os angolanos, sobretudo jovens, a "manterem o foco e a não renunciarem o presente e nem adiarem os seus sonhos".

"Buscando com serenidade, responsabilidade e atitude, sempre pela via da legalidade, os caminhos conducentes à plena realização de Angola e dos angolanos, propósitos porque lutaram Hilbert Ganga e todos os demais heróis da nossa pátria", assinala a coligação.