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quarta-feira, 13 de maio de 2020

PGR refuta acusações de Isabel dos Santos

PGR refuta acusações de Isabel dos Santos



Procurador Geral da República, Hélder Pitta Gróz

A Procuradoria-Geral da República esclareceu, ontem, que o arresto de bens decretado pelo Tribunal Provincial de Luanda, em finais do ano passado, não teve como base qualquer documento de identificação, mas sim os documentos que atestavam o receio de dissipação do património.


A PGR reagia a um comunicado da empresária Isabel dos Santos, que acusa o Ministério Público de ter usado um passaporte falsificado como prova para fazer o arresto preventivo de bens. Numa nota, a PGR informa que correm, contra Isabel dos Santos, vários processos de natureza cível e criminal, em que o Estado reivindica valores superiores a USD 5.000.000.000,00 (cinco mil milhões de dólares norte-americanos).

O arresto de bens de Isabel dos Santos em Angola, acrescenta, foi decretado no âmbito de uma Providência Cautelar, em Processo Cível, registado sob o nº 3301/2019-C. Nesse Processo Cível, que corre em Angola, esclarece a nota, consta uma informação da Embaixada de Angola no Japão, dando nota de que a referida cópia de passaporte estava sob investigação junto ao Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), precisamente para aferir a sua autenticidade.

“O ‘periculum in mora’ (perigo de lesão do direito pela demora da decisão) provado no processo não teve como base qualquer documento de identificação, mas sim os documentos que atestavam o receio de dissipação do património”, sublinha a nota. Em relação ao pedido de arresto dos bens em Portugal, à luz da cooperação judiciária internacional, a PGR esclarece que a mesma teve por base uma decisão da Câmara Criminal do Tribunal Supremo de Angola, proferida no Processo nº 01/20, no qual não se fez junção de qualquer cópia de passaporte. A PGR lembra que as regras jurídico-processuais determinam que os incidentes, como a falsidade e outras questões processuais, devem ser levantados nos respectivos processos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Angola - Isabel dos Santos deve processar consórcio de jornalistas por trás de 'Luanda Leaks'

Angola - Isabel dos Santos deve processar consórcio de jornalistas por trás de 'Luanda Leaks'


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LISBOA (Reuters) - A bilionária angolana Isabel dos Santos disse nesta segunda-feira que estava iniciando uma ação legal contra um consórcio de jornalistas e seus parceiros de mídia pela publicação de milhares de documentos sobre seu império comercial.

Isabel Dos Santos, cujo pai José Eduardo dos Santos foi presidente de Angola por 38 anos até 2017, disse que os documentos divulgados na semana passada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e seus parceiros de mídia fazem parte de uma "campanha intensa e concertada" contra ela. .

"Eu refuto as alegações infundadas e falsas afirmações e informo que tomei medidas para iniciar uma ação legal contra o ICIJ e seus parceiros, que serão gerenciados pelo escritório de advocacia internacional Schillings Partners", disse Santos em comunicado.

O ICIJ não estava disponível imediatamente para comentar.

Angola nomeou Santos como suspeito de suposta má gestão e apropriação indébita de fundos enquanto era presidente da empresa estatal de petróleo Sonangol em 2016-2017.

Ela negou as alegações e concentrou a declaração de segunda-feira quase exclusivamente no conteúdo dos documentos revelados nos chamados vazamentos de Luanda, relativos a pagamentos feitos pela Sonangol sob sua presidência.


Isabel Dos Santos contratou a Matter Business Solutions para coordenar os serviços das várias consultorias envolvidas na reestruturação da Sonangol, incluindo o Boston Consulting Group, PwC e McKinsey.

O comunicado de segunda-feira disse que a Sonangol gastou US $ 90 milhões nos serviços da Matter ao longo de 18 meses, o que, segundo ela, é inferior aos US $ 12 milhões por mês gastos em 2014-15 sob seu antecessor.

A Sonangol não estava imediatamente disponível para comentar.

As três empresas de consultoria declararam na semana passada que estavam cortando laços com os negócios de Santos.

A declaração mais recente de Dos Santos não faz referência a uma transferência adicional de US $ 38 milhões da Sonangol para a Matter apenas algumas horas depois de sua demissão do conselho da Sonangol pelo atual presidente João Lourenco.

Isabel Dos Santos disse que o vazamento de Luanda foi baseado em "e-mails obtidos criminalmente por meio de hackers para criar uma narrativa enganosa".


Um hacker português, Rui Pinto, assumiu a responsabilidade de divulgar centenas de milhares de arquivos "contendo todos os dados relacionados às revelações recentes" sobre a fortuna de Santos "a uma plataforma africana de denúncias, disseram seus advogados na segunda-feira.

Isabel Dos Santos diz que os vazamentos foram parte de uma campanha politicamente motivada pelo governo do sucessor de seu pai.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Caso 500 milhões: Ministro Manuel Nunes Júnior será ouvido terça-feira em tribunal

Caso 500 milhões: Ministro Manuel Nunes Júnior será ouvido terça-feira em tribunal




O ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, será interrogado, na qualidade de declarante, amanhã, dia 11, pelo Tribunal Supremo, que está a julgar os réus do "caso 500 milhões de dólares", transferidos ilegalmente do Banco Nacional de Angola (BNA), para uma conta no banco Crédit Suisse de Londres, Inglaterra, em 2017.


Manuel Nunes Júnior, que à data dos factos era o ministro de Estado da Coordenação Económica e Social, foi arrolado pela defesa do réu Valter Filipe, através do advogado Sérgio Raimundo, por ter, supostamente, participado numa audiência que o Ex-presidente da República, José Eduardo dos Santos, concedeu aos alegados representantes de um sindicato bancário que criaria o fundo de financiamento de 30 mil milhões de dólares.

O actual ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social foi citado várias vezes nas sessões de discussão e julgamento pelos réus Valter Filipe e José Filomeno dos Santos "Zenu dos Santos" por terem participado num encontro, em Junho de 2017, na Presidência da República, em que o mesmo esteve presente na qualidade de ministro.

O antigo presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola e filho do Ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, apresentou junto ao processo, no mês de Dezembro do ano passado, durante o seu interrogatório, fotografias do encontro em que estiveram presentes, entras outras individualidades, o então ministro de Estado da Coordenação Económica e Social.

Manuel Nunes Júnior poderá ser interrogado sob o conteúdo da audiência que José Eduardo dos Santos concedeu aos alegados representantes de um sindicato bancário em 2017, uma vez que participou pode confirmar, ou não,se tem conhecimento que o antigo chefe de Estado terá autorizado o então governador do BNA, Valter Filipe, a transferir os 500 milhões de dólares para Londres.

Sérgio Raimundo, advogado do ex-governador do BNA, só não dispensou o ministro, por achar que o seu depoimento será importante para a descoberta da verdade material.

No mês passado, o advogado pediu aos juízes do Tribunal Supremo que dispensassem os nomes de João Lourenço, Frederico Cardoso, Pedro Sebastião e de Lito Cunha, por entender que tudo o que queria saber foi já explicado polo ex-ministro das Finanças, Archer Mangueira.

A sessão de discussão e julgamento desde caso continua em fase de interrogatório aos declarantes mas tem sido marcado por divergências entre a acusação (o Ministério Público) e os advogados de defesa dos réus, que se envolvem amiúde em trocas de palavras sobre a natureza das perguntas colocadas aos declarantes.

De recordar que, para além de Valter Filipe e José Filomeno dos Santos, estão igualmente sentados no banco dos réus o ex-director do Departamento de Gestão de Reservas do BNA, António Samalia Bule, e o empresário Jorge Gaudens, proprietário da empresa Mais Financial Services.

Os réus respondem pelos crimes de peculato, branqueamento de capitais, burla por defraudação e tráfico de influência.

NOVO JORNAL

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Julgamentos mediáticos marcam 2019

Julgamentos mediáticos marcam 2019





Os julgamentos de um dos filhos do ex-presidente José Eduardo dos Santos, de ex-governantes e de oficiais generais e comissários marcaram os noticiários em Angola em 2019.

Por ordem cronológica, destaca-se, o caso "Burla Tailandesa", que envolveu o antigo director da Unidade Técnica de Investimento Privado (UTIP), Norberto Garcia, bem como a angolana Celeste de Brito e os cidadãos tailandeses RaveerojRitchoteanan, MonthitaPribwai , ManinWanitchanon e TheeraBuapeng.

No julgamento, que teve desfecho final em Abril do ano em curso, o Tribunal Supremo absolveu Norberto Garcia dos crimes de associação criminosa, burla por defraudação na forma frustrada, falsificação de documentos e auxílio à imigração ilegal.

O caso, que esteve em análise no Tribunal Supremo durante 89 dias na 3ª Secção da Câmara Criminal, culminou com a condenação da angolana Celeste de Brito a dois anos de prisão, à razão de quatro meses de prisão por associação criminosa, quatro meses por tráfico de influência e um ano por cumplicidade no delito de burla por defraudação na forma frustrada.

Não ficou provada a falsificação de um documento supostamente subscrito pelo Vice-Presidente de Angola, Bornito de Sousa, que assegurava uma garantia soberana do Estado Angolano.

Já o réu tailandês, RaveerojRitchoteanan, o mentor da trama, foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por burla por defraudação na forma frustrada, associação criminosa e falsificação de títulos de créditos.

A sua esposa, MonthitaPribwai, e os seus compatriotas ManinWanitchanon e TheeraBuapeng foram condenados a três anos de prisão, após cúmulo jurídico pelos mesmos crimes.

O TS condenou de igual modo o reformado general José Arsénio Manuel, presidente do Conselho de Administração da cooperativa Jango Yetu, afecta às Forças Armadas Angolanas (FAA), a sete meses de prisão por tráfico de influência.

Noutro processo, o ex-ministro dos transportes, Augusto Tomás, foi condenado a 14 anos de prisão no Caso Conselho Nacional de Carregadores, cuja pena foi posteriormente reduzida para oito anos e quatro meses.

No caso, o ex-director-geral do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), Manuel António Paulo, foi condenado a 10 anos de prisão, e os antigos directores-adjuntos Isabel Bragança e Rui Manuel Moita sentenciados a 12 e 10 anos, respectivamente, ao passo que Eurico Pereira da Silva, a dois anos de cadeia com pena suspensa.

Em sessão Plenária, o tribunal reduziu de 10 para cinco anos a pena de Manuel António Paulo, a de Isabel Bragança, de 12 para seis anos, e de Manuel Moita, de 10 para cinco anos, enquanto Eurico Pereira da Silva mantém os dois anos de pena suspensa.

Os réus começaram a ser julgados a 31 de Maio deste ano, acusados pelo Ministério Público de peculato, branqueamento de capital, associação criminosa e artifícios fraudulentos para desviar fundos do Estado, com o fim de capitalizar as suas empresas e algumas entidades privadas.

O montante é estimado em mais de mil milhões de kwanzas, 40 milhões de dólares e de 13 milhões de euros do Conselho Nacional de Carregadores (CNC).

Ainda neste ano, o Supremo Tribunal Militar condenou a três anos de prisão o ex-chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), António José Maria "Zé Maria", por extravio de documentos militares, relativos à batalha do Cuito Cuanavale, que custaram mais de dois milhões de dólares.

De acordo com o acórdão lido pelo juiz conselheiro presidente do Supremo Tribunal Militar, António dos Santos Neto "Patónio", o réu foi absolvido do crime de insubordinação e teve como atenuantes os serviços prestados à Pátria e a conduta exemplar demonstrada durante a sua trajectória militar.

Há dias, o comissário Francisco Massota foi condenado pelo Supremo Tribunal Militar na pena única de quatro anos e seis meses de prisão maior, por ter cometido 30 crimes de burla por defraudação e conduta indecorosa, e ainda demitido da Polícia Nacional.

Ainda este ano começou a ser julgado o “caso USD 500 milhões” que envolve o ex-presidente do Fundo Soberano, José Filomeno dos Santos “Zenu”, Valter Filipe Duarte da Silva, antigo governador do Banco Nacional de Angola ( BNA), e os empresários Jorge Gaudens Pontes Sebastião e António Samalia Bule Manuel.

Os quatro réus respondem na Câmara Criminal por uma alegada transferência ilegal de USD 500 milhões do Banco Nacional de Angola (BNA) para uma conta no CréditSuisse de Londres, Inglaterra.

A sessão retoma depois do período festivo.

Fonte: Angop

terça-feira, 16 de julho de 2019

Caso CNC: Feijó e Boavida Neto testemunham em tribunal

Caso CNC: Feijó e Boavida Neto testemunham em tribunal








Luanda - O deputado Carlos Feijó e o antigo secretário-geral do MPLA, Álvaro de Boavida Neto, constam da lista de 14 testemunhas arroladas no processo do "Caso CNC", a serem interrogadas a partir de terça-feira, na Câmara Criminal do Tribunal Supremo.

O Caso CNC envolve o ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, e quatro antigos dirigentes do Conselho Nacional de Carregadores, acusados de peculato, violação de normas de execução de orçamento, branqueamento de capitais e abuso de poder na forma continuada.

São igualmente testemunhas André Luís Brandão, antigo ministro dos Transportes, o deputado Manuel da Cruz Neto (à data dos factos, ministro e Chefe da Casa Civil do Presidente da República), Mário Palhares, PCA do Banco de Negócios Internacional (BNI), Ismael Diogo, presidente da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), e Justino Fernandes, ex-presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF).

Completam a lista Nuno Pereira, Alcides de Almeida Paulo, Paulo Adolfo Vaal Neto, Nelson Alberto Jimbi, José Paulo Kindanda, António Mosquito e Farouk Ibrahim.

ANGOP