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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

 Governo de Maduro anuncia apoio de cinquenta países na ONU

Governo de Maduro anuncia apoio de cinquenta países na ONU




Chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, anunciou a criação de um grupo de países para defender seu país diante dos riscos de una invasão, em 14 de fevereiro de 2019 na sede da ONU, em Nova York - AFP

O governo da Venezuela anunciou nesta quinta-feira (14) na ONU a criação de um grupo de cerca de 50 países como Rússia, China e Irã para defender a Carta das Nações Unidas diante da possibilidade de uma invasão militar dos Estados Unidos.

Rodeado por diplomatas de Rússia, China, Irã, Cuba, Síria, Coreia do Norte, Nicarágua, Bolívia e outros países, o chanceler venezuelano Jorge Arreaza assegurou na ONU que o novo grupo agirá nos próximos dias para defender “os direitos da Carta e de todos os Estados-membros” e chamar a atenção “sobre os perigos que enfrentam nossos povos”.

O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, que esteve presente na breve coletiva de imprensa, disse a jornalistas russos que o governo de Maduro “planeja organizar uma conferência internacional em apoio ao direito internacional e em apoio ao governo legal” da Venezuela.

Arreaza mencionou especificamente os princípios da Carta da ONU que garantam o direito à soberania, à autodeterminação dos povos, à integridade territorial e à não ingerência em assuntos internos, assim como a obrigação de não ameaçar a paz e a segurança.

No caso da Venezuela, esses direitos estão “sendo violados de maneira flagrante e aberta”, afirmou em referência às ameaças dos Estados Unidos, que não descartam o uso da força para derrubar o presidente Nicolás Maduro.

O embaixador palestino na ONU, Ryad Mansur, também presente na breve coletiva de imprensa, informou que cerca de 50 países formam o grupo, do total de 193 que integram a ONU.

– “Guerra psicológica” dos EUA –

A ONU está dividida entre os cerca de cinquentena países – liderados pelos Estados Unidos – que apoiam o líder opositor Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino em 23 de janeiro, e aqueles que defendem Maduro.

Os Estados Unidos enviaram ajuda humanitária para os venezuelanos na fronteira com a Colômbia, mas o governo de Maduro se recusa a permitir a entrada porque considera isso uma arma política.

“O que está acontecendo na Venezuela hoje é preocupante. Estamos muito preocupados que alguns exaltados possam estar considerando a opção militar”, disse o embaixador russo Vasily Nebenzya, possivelmente em referência tácita ao Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, e emissário para a Venezuela Elliott Abrams.

O presidente Donald Trump alertou nesta quarta-feira que avalia “todas as opções” para solucionar a crise na Venezuela, e disse ter “um plano B, e C, e D, e E, e F” para resolvê-la.

Consultado sobre o que acontecerá em 23 de fevereiro, data-limite imposta por Guaidó para a entrada de ajuda humanitária na Venezuela, Arreaza afirmou que “na Venezuela há um só governo e ninguém pode impor prazos”.


Arreaza fez referência aos recentes movimentos de tropas americanas no Caribe denunciados por Cuba, e acusou o governo de Trump de “estar jogando com um novo tipo de guerra psicológica”.

A chancelaria cubana denunciou na quarta-feira “movimentos de forças de operações especiais dos Estados Unidos em relação a aeroportos de Porto Rico, República Dominicana e outras ilhas do Caribe, sem o conhecimento de seus governos” para preparar uma “agressão” e “aventura militar” contra a Venezuela “disfarçada de intervenção humanitária”.

O governo da Venezuela anunciou nesta quinta-feira, a chegada de cerca de 1.000 toneladas de medicamentos e insumos médicos provenientes de Cuba e da China.

“Já estão no porto da Guaira 64 contêineres com (…) 933 toneladas de insumos para a saúde que têm uma investimento de 25 milhões de euros”, disse Alvarado à imprensa oficial.

Delegados do governo de Maduro e ativistas debateram sobre a situação dos direitos humanos na Venezuela, durante uma audiência na Bolívia da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que pediu novamente para visitar o país.

O representante da Venezuela, Larry Devoe, assegurou que seu país é vítima “de muitas fake news” sobre a falta de democracia e ausência de liberdade de expressão e de imprensa.


Já os delegados de organizações civis venezuelanas mencionaram a situação de vulnerabilidade de dirigentes sindicais e veículos de imprensa.

– 100 milhões em ajuda –

Delegados de Juan Guaidó anunciaram nesta quinta-feira na sede da OEA ter arrecadado mais de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária para seu país nas últimas três semanas.

O anúncio foi feito no encerramento da “Conferência Mundial da Crise Humanitária na Venezuela”, realizada na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, em meio a apelos para acabar com a “ditadura” de Nicolás Maduro como a única maneira de resolver a escassez no país.

“Foram comprometidos mais de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária ao povo venezuelano, recursos que serão usados única e exclusivamente para alimentos e medicamentos que possam entrar no país”, disse o político exilado venezuelano David Smolansky, coordenador do grupo de trabalho para migrantes e refugiados da OEA.

Uma fonte da presidência colombiana informou à AFP que o Grupo de Lima se reunirá no dia 25 de fevereiro em Bogotá para destacar seu apoyo a Guiadó.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Guaidó intensifica desafio a Maduro com ajuda humanitária

Guaidó intensifica desafio a Maduro com ajuda humanitária


AFP / STFJuan Guaidó (E), autoproclamado presidente interino da Venezuela, pressionará pela entrada de ajuda humanitária, desafiando o presidente Nicolás Maduro, que a considera o início de uma intervenção americana

O opositor Juan Guaidó, apoiado por 40 países que o reconhecem como presidente interino da Venezuela, redobrará a sua pressão pela entrada de ajuda humanitária, desafiando o mandatário Nicolás Maduro, que a considera o início de uma intervenção militar dos Estados Unidos.
O Parlamento, de maioria opositora, e colaboradores de Guaidó analisarão nesta terça-feira (5) os avanços do processo de armazenamento de remédios e alimentos que começaram a ser enviados dos Estados Unidos para a Colômbia, na tentativa de fazê-los chegar à vizinha Venezuela.

"Aqui na Venezuela não vai entrar ninguém, nem um soldado invasor. Nesta terra ninguém toca", sentenciou o presidente socialista, que conta entre seus aliados com Rússia, China, Turquia e Irã.

A ajuda humanitária é o novo desafio de Guaidó, após ser reconhecido na véspera como presidente interino por 20 países europeus, ao fim de um ultimato dado a Maduro para que convocasse "eleições livres".

"Querem mandar dois caminhõezinhos com quatro panelas. A Venezuela não tem que mendigar a ninguém. Se querem ajudar, que acabem com o bloqueio e as sanções", disse o presidente, assegurando que não permitirá que "humilhem" o país com o "show da ajuda humanitária".

Durante a noite, militares venezuelanos bloquearam uma ponte na fronteira com a Colômbia. A cisterna de um tanque de transporte de combustível e um gigantesco contêiner de carga bloqueavam a passagem na ponte Tienditas, que liga as cidades de Cúcuta (Colômbia) e Ureña (Venezuela), constatou uma equipe da AFP na área.

Franklyn Duarte, deputado no estado fronteiriço venezuelano de Táchira, disse à AFP que "efetivos das Forças Armadas bloquearam a passagem" durante a tarde.

Segundo Duarte, a passagem na ponte foi bloqueada depois que um incidente confuso ocorreu em Ureña quando os soldados chegaram em veículos blindados para vigiar a fronteira.

Três pessoas ficaram feridas, diz o legislador, depois que um tanque atingiu alguns motociclistas.

"Eles podem colocar uma parede e não impedirão a entrada da ajuda", disse o deputado.

Os Estados Unidos, que não descartam uma ação armada na Venezuela, ofereceram uma ajuda inicial de 20 milhões de dólares, e o Canadá, de outros 40 milhões, uma "esmola", segundo o governo venezuelano.

Em seu discurso ao Congresso sobre o Estado da União nesta terça, o presidente americano, Donald Trump, ratificou que apoia "o povo venezuelano" e condenou "a brutalidade do regime de Maduro".

Maduro acusa Washington - com o qual rompeu relações diplomáticas - de usar Guaidó como "fantoche" para derrubá-lo e se apropriar do petróleo venezuelano, e os países europeus de apoiar esses "planos golpistas".

Fortalecido com o reconhecimento de 20 governos europeus, que se soma ao de Estados Unidos, Canadá e 12 países latino-americanos, Guaidó também pedirá ajuda humanitária à União Europeia (UE).

Além disso, solicitará a proteção de contas e ativos venezuelanos, como os Estados Unidos fizeram, que embargará a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.

A Comissão Europeia anunciou nesta terça uma ajuda de 5 milhões de euros a mais para enfrentar a crise na Venezuela, o que eleva a ajuda humanitária para o país em 39 milhões desde 2018.

Bruxelas, que geralmente envia sua ajuda para a Venezuela por meio de organizações internacionais, também anunciou sua intenção de abrir um escritório humanitário em Caracas.

Também nesta quinta, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou a UE de tentar derrubar o presidente Maduro.

"Sabemos agora o que a é a UE. De um lado falam de eleições e democracia e depois, de maneira violenta e com artimanhas, tentam derrubar um governo", disse Erdogan.

Na terça-feira, 19 países da UE reconheceram o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Ele se autoproclamou presidente em 23 de janeiro.

"A Venezuela é sua província?", perguntou Erdogan, em uma mensagem aparentemente direcionada a Washington.

"Como podem dizer a alguém que chegou ao poder por meio de eleições que saia? E como colocam na presidência alguém que não foi eleito?", questionou.

No dia 23 de janeiro, Erdogan ligou para Maduro e expressou apoio.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Senadores americanos pedem à UE que reconheçam Guaidó como presidente da Venezuela

Senadores americanos pedem à UE que reconheçam Guaidó como presidente da Venezuela

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Washington, 31 Jan 2019 (AFP) - Os senadores dos Estados Unidos pediram nesta quarta-feira à União Europeia (UE) que reconheça o líder da oposição, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela para propiciar a saída de Nicolás Maduro do poder.

Legisladores do Partido Republicano e da oposição democrática reuniram-se com representantes de Guaidó, que na sua qualidade de presidente do Parlamento se proclamou presidente há uma semana, depois de considerar que o novo mandato de Maduro, iniciado em 10 de janeiro, é resultado de eleições fraudulentas e, portanto, "ilegítima".

A delegação, chefiada pelo inflamado representante de negócios da Venezuela ante os Estados Unidos, Carlos Vecchio, pediu aos senadores que "exortassem" seus aliados europeus. "É o que fizemos e continuaremos a fazer", disse Jim Risch, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, a repórteres.

"É importante que a União Européia faça a coisa certa e se assegure de que será muito firme contra Maduro e a favor deste governo interino", disse o senador Rick Scott, ex-governador da Flórida, que abriga uma grande comunidade venezuelana no exílio.

Scott pediu ao bloco europeu que siga os passos dos Estados Unidos e aplique sanções econômicas contra a Venezuela de Maduro. "Continuaremos a pressionar Maduro e ele se afastará para que tenhamos democracia em vez de socialismo e um ditador na Venezuela", disse ele.

O senador Marco Rubio, presidente do subcomitê de Relações Internacionais do Senado para o Hemisfério Ocidental, destacou que "a grande maioria dos países da Europa é a favor" de não reconhecer Maduro.

"Estamos bastante otimistas sobre a votação de amanhã no Parlamento Europeu", disse ele.

O Parlamento Europeu deve votar nesta quinta-feira sobre a resolução que o faria ser a primeira instituição europeia a reconhecer Guaidó como presidente interino após sua autoproclamação em 23 de janeiro.

ad/gv/cc

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Venezuela: Um país, dois presidentes

Venezuela: Um país, dois presidentes



maduro responde a Juan Guaidó e promete “lutar até à vitória e mais além” Líder da Assembleia Nacional, controlada pela Oposição, jurou como presidente encarregado da Venezuela. Nicolás Maduro acusa intervenção dos EUA e corta relações diplomáticas. pede lealdade aos militares


‘Hoje, 23 de Janeiro, juro assumir formalmente as competências do Governo nacional como Presidente encarregado da Venezuela para conseguir o fim da usurpação, um Governo de transição e eleições livres”, disse Juan Guaidó, de 35 anos de idade, líder da Assembleia Nacional venezuelana, frente a milhares de pessoas numa manifestação contra Nicolás Maduro em Chacao.

“Assumo a responsabilidade ao abrigo do artigo 333 e do 350. Juro assumir o compromisso da não violência”, acrescentou, citado pelo jornal El Nacional, que refere que a multidão cantou depois o hino. Antes, Guaidó tinha perguntado se contava ou não com o apoio da multidão e recebeu uma resposta positiva.

O presidente Nicolás Maduro, que já recebeu o apoio da Rússia, respondeu cerca de duas horas de pois. Em declarações a partir do Palácio Miraflores, sede da presidência, afirmou: “Esta é a casa do povo, da soberania popular.

Aqui há um povo bolivariano a governarse. Somos a maioria, somos a alegria, somos o povo de Hugo Chávez”, afirmou. E já pediu às forças armadas que lhe sejam leais. Recusando-se a abandonar o poder – “neste palácio presidencial estamos e estaremos com o voto do povo. Só o povo põe, só o povo tira” – Maduro acusou as manifestações que saíram à rua esta Quarta-feira de serem instrumentalizadas pelos Estados Unidos. “Não queremos voltar ao século XX.

O povo venezuelano diz não ao golpismo, não ao imperialismo”. E prometeu não desistir: “Aqui vamos ao combate. Lutar até à vitória e mais além”. “Chamo os poderes de Estado a cerrarem fileiras em defesa da democracia venezuelana. Peço às Forças Armadas máxima lealdade, máxima união, máxima disciplina”, disse Maduro. As forças armadas responderam com um tuíte em que ratificam “o respeito à Constituição e a “lealdade absoluta” a Maduro, “eleito pelo povo para o período 2019-2025. Maduro afirmou que o Presidente turco, Recep Erdogan, lhe telefonou para o encorajar a seguir em frente.

E recebeu também o apoio da Rússia – vários membros do parlamento russo criticaram Trump por reconhecer Juan Guaidó. “Penso que nesta situação, os Estados Unidos estão a tentar executar uma operação para organizar a próxima ‘revolução colorida’ [expressão utilizada pelos russos para caracterizar revoltas populares, como as conduzidas na Geórgia, Ucrânia e Quirguistão]”, disse o vice-presidente do comité para os assuntos externos da câmara alta do parlamento russo, Andrei Klimov, à agência estatal russa RIA-Novosti. Maduro anunciou ainda o corte total de relações diplomáticas com os Estados Unidos, dando 72 horas aos diplomatas para deixarem o país.

A administração Trump reconheceu já legitimidade a Juan Guaidó (ler mais a baixo). O exemplo foi seguido pelo Canadá e outros países. Após chamar “traidor”, “fascista” ou “nazi” a todos os que reconheceram a legitimidade a Juan Guaidó, Maduro terminou o discurso com gritos de “Chábez vive!” O que diz a constituição O artigo 333.º da Constituição venezuelana, prende-se com as garantias do texto legal e diz que este “não perderá a sua validade se deixar de ser observada por força de lei ou porque é revogada por qualquer outro meio que não aquele previsto nela.

Em tal eventualidade, qualquer cidadão investido ou cidadão com ou sem autoridade, terá o dever de colaborar no restabelecimento da sua validade efetiva”. Já o artigo 350.º da Constituição diz que “o povo da Venezuela, fiel à sua tradição republicana, à sua luta pela Independência, a paz e a liberdade, desconhecerá qualquer regime, legislação ou autoridade que contrarie os valores, princípios e garantias democráticas ou mine os direitos humanos”.

Um dia após a tomada de posse de Nicolás Maduro para um segundo mandato, que não é reconhecido por parte da comunidade internacional (incluindo EUA e União Europeia), Guaidó tinha-se mostrado disponível para assumir a presidência interina do país, caso contasse com o apoio dos militares. Guaidó terá ainda dito aos apoiantes que não teme ser preso: “Não tenho medo disso, tenho medo pela nossa gente que está a passar muito mal”, referiu, citado pelo El Nacional.

Trump reconhece Guaidó

O Presidente norte-americano, Donald Trump, já reconheceu oficialmente Guaidó como presidente interino da Venezuela. “Os cidadãos da Venezuela já sofreram demasiado nas mãos do regime ilegítimo de Maduro.

Hoje, reconheci oficialmente o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como Presidente interino da Venezuela”, escreveu no Twitter. Os Estados Unidos fizeram entretanto saber que mantêm “todas as opções sobre a mesa” se o Presidente Nicolás Maduro responder com violência ao anúncio do presidente da Assembleia Nacional.

“Se Maduro e os seus amigos decidirem responder com violência, prejudicar a Assembleia Nacional ou outros eleitos temos de adoptar todas as opções que estão em cima da mesa”, disse um alto funcionário norte- americano numa chamada telefónica com a Reuters e a Efe. Portugal pede respeito pela legitimidade da Assembleia. cautela europeia O ministro dos Negócios Estrangeiros português, país que tem centenas de milhar de emigrantes na Venezuela, escreveu entretanto na rede social: “Acompanhamos minuto a minuto a evolução da situação na Venezuela.

A nossa preocupação principal é a segurança da comunidade portuguesa. Estamos também em contacto permanente com os nossos parceiros mais próximos, designadamente na União Europeia.” Minutos depois, Augusto Santos Silva voltou a tuitar: “Apelamos a que não haja violência na Venezuela, que seja respeitada a legitimidade da Assembleia Nacional e que seja também respeitado o direito das pessoas a manifestarem-se pacificamente”.

Numa primeira declaração, o presidente do Conselho Europeu disse esperar que “toda a Europa se una em apoio às forças democráticas na Venezuela.” Donald Tusk acrescentou: “Ao contrário de Maduro, a Assembleia – incluindo Juan Guaidó – tem um mandato democrático dos cidadãos venezuelanos”. Já a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini divulgou um comunicado em que apela à realização imediata de “eleições credíveis e transparentes”.

No entanto, não faz qualquer menção ao juramento de Juan Guaidó. Limita-se a pedir respeito pela “segurança e liberdade” de Guaidó e dos restantes deputados da Assembleia Nacional (que está nas mãos da oposição a Maduro).

A declaração da responsável diplomática da UE levou o ministro português a regressar ao Twitter: “Portugal apoia integralmente a declaração da Alta Representante em nome de toda a UE. Renovamos o apelo para que não haja violência e que seja plenamente respeitada a vontade inequivocamente manifestada hoje pelo povo venezuelano para a realização de eleições livres e justas.”

As prudência europeia contrasta com os apoios dos latino americanos. O uruguaio Luis Almagro, secretário- geral da Organização de Estados Americanos, escreveu no Twitter uma mensagem a felicitar Guaidó. “Tem todo o nosso reconhecimento para impulsionar o regresso do país à democracia”.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) reiterou nas redes sociais o apoio a Maduro, com imagens das manifestações a favor do Presidente que também decorrem no país. “Junto com o povo revolucionário ratificamos o nosso apoio contundente e irrestrito ao Presidente Nicolás Maduro. Venceremos!”, lê-se na página de Twitter oficial.

O País

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Há 87% de pobres na Venezuela e 61% da população vive em pobreza extrema

Há 87% de pobres na Venezuela e 61% da população vive em pobreza extrema

Na Venezuela, 87% da população é pobre e 61% vive em pobreza extrema, segundo dados divulgados na quinta-feira pela Coligação de Organizações pelo Direito à Saúde e à Vida (Codevida).




Na Venezuela, 87% da população é pobre e 61% vive em pobreza extrema, segundo dados divulgados na quinta-feira pela organização não-governamental Coligação de Organizações pelo Direito à Saúde e à Vida (Codevida).


Os dados foram divulgados pelo presidente da Codevida, Francisco Valência, em Genebra, Suíça, durante uma reunião na ONU, em que alertou que 55% das crianças venezuelanas, com menos de cinco anos de idade, padece de subnutrição. “A crise, na Venezuela, tem consequências devastadoras para o bem-estar da população e no usofruto dos seus direitos (…), os níveis de insegurança alimentar são altíssimos”, enfatizou.
Os dados, explicou o presidente, têm como fontes o Centro de Direitos Humanos da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), a Cáritas e a Organização Panamericana da Saúde.
Eduardo Trujillo, da UCAB, precisou que mais de oito milhões de venezuelanos comem “duas ou uma vez por dia, e o que ingerem não é nutritivo”. A crise, a escassez e os altos preços dos produtos fizeram com que “em média os venezuelanos tenham perdido 11 quilogramas de peso, em 2017”, acrescentou.
Por outro lado, ambos os responsáveis explicaram que na Venezuela não há distribuição regular de água potável, falta a eletricidade e a inflação é de 233%, o que fez com que 2,3 milhões de pessoas tenham abandonado o país.
A crise, segundo a Codevida, provocou a migração de 50% dos trabalhadores hospitalares, sobrecarregando de trabalho as enfermeiras que não emigraram, enquanto milhares de pacientes não recebem tratamento adequado pela falta de medicamentos e materiais médicos no país. Ainda assim, ressurgiram doenças que já estavam controladas como o sarampo e a malária.