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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Angola: Qual será o futuro de Zenu dos Santos?

Angola: Qual será o futuro de Zenu dos Santos?

José Filomeno "Zenu" dos Santos© Grayling José Filomeno "Zenu" dos Santos
José Filomeno dos Santos foi recentemente constituído arguido. Sobre si pesam crimes como peculato enquanto gestor do Fundo Soberano de Angola.

O semanário angolano Expansão revelou, na sua última edição, que "os acordos para a gestão dos três mil milhões de dólares aplicados nos sete investimentos alternativos não podem ser denunciados". O jornal, que cita Carlos Alberto Lopes, do Conselho de Administração, avança ainda que os contratos "prendem" o Fundo Soberano de Angola à empresa Quantum por 10 a 15 anos.
Estas informações, surgem numa altura em que José Filomeno dos Santos "Zenú", já enfrenta um processo movido pela Procuradoria-geral da República. O filho do ex-Presidente José Eduardo dos Santos é acusado de crimes de peculato, abuso de confiança e burla por defraudação enquanto gestor do Fundo Soberano de Angola.
  • Oportunidade de afirmação para Justiça angolana


Para o jornalista e analista Alexandre Neto Solombe, este caso é uma oportunidade "para a Justiça angolana se afirmar".
"O modo como a Justiça angolana tratar o caso "Zenú" e demais casos ligados a alta figura política em Angola, principalmente ligadas ao partido no poder, vai certamente enviar uma mensagem forte para os mercados interno e externo", explica Alexandre Neto Solombe.
O analista lembra também que a consciência de cidadania dos angolanos evoluiu nos últimos tempos. Hoje, já é possível ver cidadãos a escrutinar atuação dos órgãos da administração da Justiça em Angola, revela.

"Não nos esqueçamos também que os próprios órgãos da administração da Justiça penal em Angola estão sob escrutínio dos cidadãos por causa deste alto nível de consciencialização que tomou conta dos angolanos nos últimos temos. De tal maneira que, a estes órgãos só lhes resta uma caminho: aplicar a lei e fazer cumprir a lei", acrescentou Solombe.

Para além de "Zenú" dos Santos no Fundo Soberano de Angola, outros filhos do antigo chefe de Estado também estiveram na gestão da coisa pública. com destaque para Isabel dos Santos à frente da petrolífera angolana Sonangol, maior fonte de receitas do Estado. A empresária angolana, por exemplo, também já foi notificada pela Procuradoria-Geral da República para prestar declarações sobre alegada transferência de valores monetários.

"Eduardo dos Santos procurava tirar vantagens para o beneficio próprio e dos seus familiares mais diretos e aqueles que o circundavam", explica Solombe.

  • O "patriota" José Eduardo dos Santos


Numa entrevista concedida ao canal português SIC Notícias, em junho de 2013, o então Presidente angolano José Eduardo dos Santos disse que gostaria de ser lembrado como "um grande patriota".
Esta terça-feira, em declarações à rádio Luanda Antena Comercial (LAC), o presidente da UNITA, maior partido da oposição, fê-lo. Ou seja, chamou-lhe "patriota".

"Há tendência entre nós de capitalizarmos naquilo que é de negativo mesmo se as pessoas fizeram atos de grande importância, grande relevância nacional. Não é patriótico tentar criar situações apenas negativas ou capitalizar apenas em feitos negativos quando pessoas a que nos referimos contribuíram de uma forma significativa para o país", disse Isaías Samakuva.

Mas em setembro de 2015, Samakuva desafiou os deputados da oposição a processar o Presidente Eduardo dos Santos por supostos crimes de corrupção, peculato e suborno.

O assunto sobre o patriotismo do ex-chefe de Estado está envolto em polémica. Para alguns, tratou-se de um discurso com sentido de Estado. Mas outros criticaram-no.

Para o analista o Alexandre Neto Solombe "a UNITA teve sempre uma relação privilegiada com o chefe do executivo na abordagem dos vários dossiers implicados no processo de paz".
"Muito se discute sobre o mérito desta designação de patriota a Eduardo dos Santos, como se percebe nas redes sociais, mas estamos em democracia e cada um é livre de exprimir o seu ponto de vista. Terá sido isso que motivou Isaías Samakuva atribuir esse qualificativo apesar das várias contestações", concluiu Solombe.

por:content_author: Manuel Luamba

terça-feira, 31 de julho de 2018

Confissão de Neymar em peça publicitária divide opiniões

Confissão de Neymar em peça publicitária divide opiniões






















Menos de um mês depois da eliminação do Brasil na Copa do Mundo, Neymar voltou a testar sua popularidade. E não foi boa, de acordo com críticas nas redes sociais. A veiculação na TV de comercial em que admite exageros no torneio, desabafa sobre as críticas e promete superação mostrou novamente um lado desastroso. Se a peça publicitária pôs em evidência a marca Neymar, por outro lado colocou em dúvida o êxito da campanha para sua imagem.

Para o publicitário Washington Olivetto, a ideia não foi boa para Neymar. “O que faz melhor para ele é exercer o grande talento que ele tem: jogar bola e se retirar um pouco da mídia”, disse ao Estado. A aparição do atacante em comerciais em momento de crise não é inédita.

Segundo Olivetto, a campanha do domingo voltou a abordar tema que já esfriava: as simulações. “O mesmo poder que a comunicação tem de construir, tem para realimentar o problema. Uma peça às vezes mais relembra o problema do que ajuda a esquecê-lo”, avaliou.
 

Neymar deixou a Rússia com a fama de simulador de faltas e vítima de deboches. Suas quedas em campo tornaram memes pelo mundo. O pai do jogador e demais funcionários de sua empresa estabeleceram um plano de ações para recuperar a reputação arranhada do atleta.

Segundo levantamento global da empresa Kantar Sports, representada pelo Ibope, Neymar foi assunto em mais de 25 milhões de publicações nas mídias sociais nas últimas semanas. Durante a Copa, mais de 60% do conteúdo era negativo, em especial com piadas e memes.

O contexto combinou com a ideia da Gillette de realizar a campanha. Para a produção do comercial, os publicitários redigiram um texto e foram até Santos para o jogador gravar a narração. A empresa, a agência de publicidade responsável pela ação e o estafe de Neymar explicaram em nota que a ideia do comercial foi construída em conjunto. “Assim como muitos outros, Neymar encara desafios, lesões e derrotas, e o objetivo do fabricante de barbeador é encorajar os homens, sem distinção, a refletirem sobre a oportunidade de se tornar um novo homem todo dia”, informou em comunicado.


Em 2010, pouco depois de brigar com o técnico Dorival Junior, ainda no Santos, ele gravou com a Nextel. Já em 2014, após deixar a Copa do Mundo machucado, estrelou campanha da Claro.

Para o professor de marketing esportivo da ESPM, Ivan Martinho, a peça publicitária teve efeito positivo. “Neymar mostrou ter uma grande força midiática. Mesmo depois da Copa e de ele não ter sido o protagonista, continuou no alto”, disse. A mesma avaliação vale para a marca. “A empresa conseguiu o alcance buscado. Conectar o Neymar à sua imagem. Desse ponto, a peça foi brilhante”.
Os patrocinadores representam uma fatia importante para o faturamento de Neymar. Cerca de 60% dos ganhos dele vêm dos contratos publicitários.

Fonte: Istoé

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Jovens protestam em Angola para exigir cumprimento da promessa de 500 mil novos empregos

Jovens protestam em Angola para exigir cumprimento da promessa de 500 mil novos empregos

Mais de uma centena de jovens protestaram em Luanda para exigir o cumprimento da promessa feita pelo presidente angolano João Lourenço de criar 500 mil empregos em Angola até 2021.




Fonte: Agência Lusa
Mais de uma centena de jovens protestaram este sábado em Luanda para exigir o cumprimento da promessa feita pelo atual presidente angolano João Lourenço de criar 500 mil empregos em Angola até 2021.


A ação de protesto em Luanda — estavam anunciadas idênticas manifestações nas províncias do Bengo, Bié, Benguela, Malanje, Moxico e Zaire — destinou-se, segundo os organizadores disseram à agência Lusa, a chamar a atenção para o facto de “90% da população jovem angolana estar desempregada”.
“Esta realidade assusta”, disse à Lusa Viriato Cruz, 29 anos, desempregado há sete, apelando ao Governo para que incentive a criação de emprego para jovens, sobretudo na ideia de apoio às empresas no setor privado, uma vez que o Estado é o maior empregador do país e que “não chega para todos”.
“O Governo já poderia ter mostrado vontade para um maior investimento no setor privado. O Estado é o maior empregador, mas tem de mudar para aumentar as empresas no privado. Tem de ajudar, sobretudo em dar um crédito, não é só ter o cartão do partido (MPLA). João Lourenço é a continuidade de José Eduardo dos Santos e todas estas alterações são apenas uma fachada”, contestou.
No mesmo sentido, Graciano Brincos, 29 anos, e também desempregado, refutou a ideia de ser ainda cedo para fazer estas exigências ao Governo – João Lourenço está há apenas nove meses no poder -, defendendo que, em vez de diminuir, o desemprego está a aumentar.
“Está tudo na mesma meio ano depois. Em vez de criar empregos e arranjar 500 mil empregos, estão a criar mais desemprego”, sublinhou.
Na ação de protesto, a que se associaram oito dos 17 membros do Grupo que foi condenado a penas de prisão por alegada rebelião, tendo dois deles, Hitler Tshikonde e Arante Kivuvu, considerado à Lusa que a mudança de Eduardo dos Santos para João Lourenço nada trouxe de novo.
“Considero que João Lourenço, tal como José Eduardo dos Santos, são partes do mesmo grupo e, havendo desemprego, eles são culpados e devem ser responsabilizados. João Lourenço faz parte de um grupo, de uma estrutura de uma estrutura apodrecida. É membro do MPLA, [partido] que governa o país há 42 anos. Todos os problemas que temos, ele também é herdeiro. Os desafios são os mesmos, mas ele prometeu criar os 500 mil empregos, prometeu criar políticas, mas nada mudou”, disse Tshikonde.
“Há mais índice de desemprego na juventude. Não nos sentimos realizados. Temos de chamar a atenção para criação de política de emprego. Se vamos esperar quatro anos sem chamar a atenção então é que tudo ficará na mesma. Há um número maior de pobreza extrema, que leva à delinquência e à prisão”, disseram quer Tshikonde quer Kivuvu.
A marcha de protesto, onde, entre outras, se ouviam palavras de ordem como “o trabalho é um direito” ou “o desemprego marginaliza”, começou no Cemitério de Santana e terminou cerca de cinco quilómetros depois, “às portas” da Praça da Independência, onde não chegou a entrar devido a um forte dispositivo de segurança policial, que acompanhou a ação desde o início.
Em 22 de julho de 2017, em plena campanha eleitoral para as eleições gerais de agosto em Angola, João Lourenço, chefe de Estado, prometeu que, numa só legislatura, iria conseguir criar pelo menos meio milhão de empregos, reduzir um quinto à taxa de desemprego de 24% e instituir o rendimento mínimo social para as famílias em pobreza extrema.